No blogue Miss Pearls apresenta-se um serviço da biblioteca pública de Viena de leitura da sua colecção de literatura erótica através de uma linha telefónica de valor acrescentado.
Sou muito receptivo à bondade do motivo da iniciativa - angariar fundos para suportar os custos de manutenção e crescimento da biblioteca - mas tenho uma dúvida fundamental quanto à sua forma: a biblioteca está a cobrar o acesso ao bem cultural que tem à sua guarda, contrariando o espírito da missão de o disponibilizar gratuitamente. Este serviço não é equiparável aos livros-áudio, acessíveis ao público em geral e não apenas a invisuais? As bibliotecas públicas são ilhas de inocente socialismo e uma das mais geniais e simples invenções da humanidade. Esta ideia, por onde a olhe, parece-me desvio da sua missão.
Deixando de lado esse problema, sobra uma pergunta fundamental para se responder: imaginemos que aqui a Garrett ou a Nacional em Lisboa propõem um serviço semelhante para dar a conhecer a literatura erótica portuguesa, que actores escolheriam para dar voz ao texto?
Eu pensaria em Alexandra Lencastre por motivos óbvios e Rogério Samora por motivos ainda mais óbvios. Pensando bem, não seria má ideia ter a voz do António Barreto com a de Filomena Mónica ou seria ir longe de mais? O mais provável, no entanto, é que se essa iniciativa colar por cá, tenhamos de escolher entre o Teatro Nacional e o La Feria.
domingo, 13 de Maio de 2007
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2 comentários:
Olá,
" Este serviço não é equiparável aos livros-áudio, acessíveis ao público em geral e não apenas a invisuais? "
Está a comparar com Portugal o que eventualmente não sei se pode ser comparado. Será que em Viena cobram por empréstimos? atrasos nas entregas? Não sei. Em Inglaterra sei que o fazem.Aliás,as bibliotecas já deixaram há muito de ser financiadas na sua totalidade pelo Estado e tiveram que encontrar elas próprias formas de financiamento.
Não sei por quanto tempo a gratuicidade se irá manter por cá. ~
Seja como for, esta hot line é um serviço de valor acrescentado.
:)
Olá, olá.
Dá-me duas más notícias. Uma, que em Inglaterra já se cobra pelo empréstimo de livros (é medida recente, não? a mim nunca me aconteceu pagar por empréstimo, nem mesmo pelo domiciliário); duas, que em Portugal ainda vai ser assim também. Vale-nos a FNAC, não é? para o acesso gratuito e universal à cultura.
Agora, pensando naquela hotline... não imagina umas tantas vozes que diminuiriam valor, em vez de o acrescentar?
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