sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Perdidos na tradução


Era agosto, mas a sexta-feira amanheceu como se fosse solstício de inverno.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Amazon, mon amour


Esbjorn Svensson Trio, Viaticum

segunda-feira, 30 de julho de 2007

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Melhor educação

A minha mãe, a única pessoa que conheço que lê apenas blogs depois de impressos em papel e que não desiste de me ver educado (e também nesta insistência é a única pessoa que conheço), desgostou-se com o meu último post. Queixou-se do primeiro período, demasiado longo e confuso (uma caravana de camelos que comece numa ponta arrisca a perder-se pelo caminho antes de chegar ao final - e não ignorei nesta imagem a ideia de deserto que ela transporta), mas queixou-se, sobretudo, da facilidade irresponsável com que generalizo e sentencio sem fundamento o que aos poetas portugueses diz respeito. E eu, por respeito tanto a uma mãe que é minha como aos poetas que de todos nós são, abjuro e confesso-me afinal deles admirador, em particular se são aqui da terra e quando se dedicam ao sexo puro e duro:

Como se não houvera
bosque mais secreto,

como se as nascentes
fossem só ardor,

como se o teu corpo
fora a vida toda -

o desejo hesita
em ser espada ou flor.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Três pratos de trigo para três tristes tigres


Escondi ao meu parceiro de viagem o mau gosto de se ter baptizado o aeroporto para onde nos dirigíamos com o nome de alguém que morreu de um acidente aéreo numa viagem que tinha por destino esse mesmo aeroporto. Desde o espaço demasiado curto para o seu metro e noventa até uma bebida que lhe assentou mal, o tempo de viagem foi-lhe muito penoso e achei melhor poupá-lo ao pormenor macabro. Além do mais, para mim, o nosso aeroporto continua a ser de Pedras Rubras, topónimo que sempre me deliciou por me parecer ter sido inventado por um poeta mudo e surdo como são quase todos os poetas portugueses, mais dados aos trava-línguas do que à poesia legível e pensável em voz alta.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Amazon, mon amour


Kimya Dawson, Remember that I love you

sábado, 16 de junho de 2007

Xanax 2.0

Que me desculparia ou não, ainda iria ver. Escrever-me-ia, disse. Felizmente, tenho o blogue do Gmail - Inbox (1) para me ir iludindo a ansiedade.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Forget me, Lord, for I shall do it again


Sylvia Ji, Lovestruck, 2005 (?)

Forgive me, Lord, for I have sinned

Mark Ryden, The angel of meat, 1998

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Pop scale

Seguindo os bons exemplos, a boa luz, traço o círculo de celebridades que conheço que é estreito, muito estreito. Por ordem decrescente de relevância, à la Google (uma explicação do processo vem logo a seguir):

Pedro Mexia
Conheci-o na apresentação de um livro: tive de esperar pelo fim para perceber que afinal não tinha sido escrito por ele. Fiz-lhe na altura duas perguntas, o que, como se sabe, é o mesmo que uma entrevista, o que, como se sabe, é o mesmo que um conhecimento.
Paul Auster
Em Lisboa, o mais normal é que se tropece em Paul Auster como se tropeça em obras na rua. Tratei-o por Mr. Quinn e pedi-lhe um autógrafo, que assinou divertido. Fiz as perguntas do costume, se conhecia Portugal e a cultura portuguesa, e ele mencionou-me Pedro Mexia por mais do que uma vez.
Andy Warhol
Apesar de não termos trocado uma palavra - eu era então muito-muito novo e um adolescente particularmente tímido - arruinou-me um casaco que, depois de lavado, nunca mais vesti mas ainda hoje guardo. Enquanto estive perto dele, e apesar da voz que a bebida (for sure) e talvez outras substâncias faziam arrastar, posso jurar que nunca falou de Pedro Mexia ou Paul Auster.
A partir das referências identificadas (que substituem os hyperlinks) e aplicando a fórmula de aferição do PageRank

facilmente se depreende que, das três celebridades que conheço, a mais relevante é Pedro Mexia.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Meter o nariz onde sou completamente chamado (2)

Parece remédio e é. O eterno musk da Kiehl's é conhecido como "Love Oil" por um motivo histórico que não se desvenda. O mistério é a alma desta matéria, como bem sabe a Charlotte que reconhecerá o aroma favorito de Cleópatra. Pesadote para a Primavera e impensável no Verão. Mas eu estou a pensar na colecção Outono-Inverno 2007 enquanto folheio a Vanity Fair.