
Era agosto, mas a sexta-feira amanheceu como se fosse solstício de inverno.
A minha mãe, a única pessoa que conheço que lê apenas blogs depois de impressos em papel e que não desiste de me ver educado (e também nesta insistência é a única pessoa que conheço), desgostou-se com o meu último post. Queixou-se do primeiro período, demasiado longo e confuso (uma caravana de camelos que comece numa ponta arrisca a perder-se pelo caminho antes de chegar ao final - e não ignorei nesta imagem a ideia de deserto que ela transporta), mas queixou-se, sobretudo, da facilidade irresponsável com que generalizo e sentencio sem fundamento o que aos poetas portugueses diz respeito. E eu, por respeito tanto a uma mãe que é minha como aos poetas que de todos nós são, abjuro e confesso-me afinal deles admirador, em particular se são aqui da terra e quando se dedicam ao sexo puro e duro:Como se não houvera
bosque mais secreto,como se as nascentes
fossem só ardor,como se o teu corpo
fora a vida toda -o desejo hesita
em ser espada ou flor.


Conheci-o na apresentação de um livro: tive de esperar pelo fim para perceber que afinal não tinha sido escrito por ele. Fiz-lhe na altura duas perguntas, o que, como se sabe, é o mesmo que uma entrevista, o que, como se sabe, é o mesmo que um conhecimento.Paul Auster
Em Lisboa, o mais normal é que se tropece em Paul Auster como se tropeça em obras na rua. Tratei-o por Mr. Quinn e pedi-lhe um autógrafo, que assinou divertido. Fiz as perguntas do costume, se conhecia Portugal e a cultura portuguesa, e ele mencionou-me Pedro Mexia por mais do que uma vez.Andy Warhol
Apesar de não termos trocado uma palavra - eu era então muito-muito novo e um adolescente particularmente tímido - arruinou-me um casaco que, depois de lavado, nunca mais vesti mas ainda hoje guardo. Enquanto estive perto dele, e apesar da voz que a bebida (for sure) e talvez outras substâncias faziam arrastar, posso jurar que nunca falou de Pedro Mexia ou Paul Auster.A partir das referências identificadas (que substituem os hyperlinks) e aplicando a fórmula de aferição do PageRank

Parece remédio e é. O eterno musk da Kiehl's é conhecido como "Love Oil" por um motivo histórico que não se desvenda. O mistério é a alma desta matéria, como bem sabe a Charlotte que reconhecerá o aroma favorito de Cleópatra. Pesadote para a Primavera e impensável no Verão. Mas eu estou a pensar na colecção Outono-Inverno 2007 enquanto folheio a Vanity Fair.