terça-feira, 10 de julho de 2007

Três pratos de trigo para três tristes tigres


Escondi ao meu parceiro de viagem o mau gosto de se ter baptizado o aeroporto para onde nos dirigíamos com o nome de alguém que morreu de um acidente aéreo numa viagem que tinha por destino esse mesmo aeroporto. Desde o espaço demasiado curto para o seu metro e noventa até uma bebida que lhe assentou mal, o tempo de viagem foi-lhe muito penoso e achei melhor poupá-lo ao pormenor macabro. Além do mais, para mim, o nosso aeroporto continua a ser de Pedras Rubras, topónimo que sempre me deliciou por me parecer ter sido inventado por um poeta mudo e surdo como são quase todos os poetas portugueses, mais dados aos trava-línguas do que à poesia legível e pensável em voz alta.

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