sexta-feira, 18 de maio de 2007

Forget me, Lord, for I shall do it again


Sylvia Ji, Lovestruck, 2005 (?)

Forgive me, Lord, for I have sinned

Mark Ryden, The angel of meat, 1998

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Pop scale

Seguindo os bons exemplos, a boa luz, traço o círculo de celebridades que conheço que é estreito, muito estreito. Por ordem decrescente de relevância, à la Google (uma explicação do processo vem logo a seguir):

Pedro Mexia
Conheci-o na apresentação de um livro: tive de esperar pelo fim para perceber que afinal não tinha sido escrito por ele. Fiz-lhe na altura duas perguntas, o que, como se sabe, é o mesmo que uma entrevista, o que, como se sabe, é o mesmo que um conhecimento.
Paul Auster
Em Lisboa, o mais normal é que se tropece em Paul Auster como se tropeça em obras na rua. Tratei-o por Mr. Quinn e pedi-lhe um autógrafo, que assinou divertido. Fiz as perguntas do costume, se conhecia Portugal e a cultura portuguesa, e ele mencionou-me Pedro Mexia por mais do que uma vez.
Andy Warhol
Apesar de não termos trocado uma palavra - eu era então muito-muito novo e um adolescente particularmente tímido - arruinou-me um casaco que, depois de lavado, nunca mais vesti mas ainda hoje guardo. Enquanto estive perto dele, e apesar da voz que a bebida (for sure) e talvez outras substâncias faziam arrastar, posso jurar que nunca falou de Pedro Mexia ou Paul Auster.
A partir das referências identificadas (que substituem os hyperlinks) e aplicando a fórmula de aferição do PageRank

facilmente se depreende que, das três celebridades que conheço, a mais relevante é Pedro Mexia.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Meter o nariz onde sou completamente chamado (2)

Parece remédio e é. O eterno musk da Kiehl's é conhecido como "Love Oil" por um motivo histórico que não se desvenda. O mistério é a alma desta matéria, como bem sabe a Charlotte que reconhecerá o aroma favorito de Cleópatra. Pesadote para a Primavera e impensável no Verão. Mas eu estou a pensar na colecção Outono-Inverno 2007 enquanto folheio a Vanity Fair.

domingo, 13 de maio de 2007

Amazon, mon amour


Ian McEwan, On Chesil Beach
Se o amor ignorante é possível, haverá amor de outro tipo?

Now here they were at last, married and alone. Why did he not rise from his roast, cover her in kisses, and lead her toward the fourposter next door? It was not so simple. He had a fairly long history of engaging with Florence's shyness. He had come to respect it, even revere it, mistaking it for a form of coyness, a conventional veil for a richly sexual nature - in all, part of the intricate depth of her personality, and proof of her quality. He convinced himself that he preferred her this way. He did not spell it out for himself, but her reticence suited his own ignorance and lack of confidence; a more sensual and demanding woman, a wild woman, might have terrified him.

Meter o nariz onde não sou chamado (1)

No blogue Miss Pearls apresenta-se um serviço da biblioteca pública de Viena de leitura da sua colecção de literatura erótica através de uma linha telefónica de valor acrescentado.

Sou muito receptivo à bondade do motivo da iniciativa - angariar fundos para suportar os custos de manutenção e crescimento da biblioteca - mas tenho uma dúvida fundamental quanto à sua forma: a biblioteca está a cobrar o acesso ao bem cultural que tem à sua guarda, contrariando o espírito da missão de o disponibilizar gratuitamente. Este serviço não é equiparável aos livros-áudio, acessíveis ao público em geral e não apenas a invisuais? As bibliotecas públicas são ilhas de inocente socialismo e uma das mais geniais e simples invenções da humanidade. Esta ideia, por onde a olhe, parece-me desvio da sua missão.

Deixando de lado esse problema, sobra uma pergunta fundamental para se responder: imaginemos que aqui a Garrett ou a Nacional em Lisboa propõem um serviço semelhante para dar a conhecer a literatura erótica portuguesa, que actores escolheriam para dar voz ao texto?

Eu pensaria em Alexandra Lencastre por motivos óbvios e Rogério Samora por motivos ainda mais óbvios. Pensando bem, não seria má ideia ter a voz do António Barreto com a de Filomena Mónica ou seria ir longe de mais? O mais provável, no entanto, é que se essa iniciativa colar por cá, tenhamos de escolher entre o Teatro Nacional e o La Feria.

sábado, 12 de maio de 2007

Imagine there is no hell


Jonathan Weiner, The fluidity of power, 2006

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Mil folhas e um cimbalino

A propósito da rarefacção do espaço vital dos livros nos meios de imprensa - jornais generalistas ou imprensa especializada - leio e ouço o nacional-choradinho do costume, somos assim, não somos? mas ao mesmo tempo reparo que este fenómeno não é uma portuguesice excêntrica. No verdadeiro coração da indústria do livro - onde senão nos EUA? - também o crítico literário é hoje uma endangered specie. E, no entanto, não aflige por aí além os editores, não a ponto de os motivar para uma reacção concertada ou de diminuir o caudal de títulos que todos os anos produzem. A situação, que não me suscita um sentimento de tragédia, não me deixa sem perguntas, no entanto. Estas perguntas, para ser ligeiramente original como convém sempre que se fala de livros, não são duas-em-uma mas uma-em.duas . Têm a ver - ou tem a ver, you pick - com a determinação do valor do crítico na formação do gosto literário e com a identificação dos canais - ia dizer alternativos, mas na realidade são concorrentes, com o mesmo ou maior droit de cité que os dos suplementos literários ou publicações especializadas - que contribuem para essa formação.

O papel do crítico literário está, de há muito, overrated. Os êxitos de vendas de coisas como Dan Brown e Joanne Rowling (minha ex-vizinha, por acaso, e senhora não particularmente simpática, mas se alguns dos nossos melhores escritores são fascistas, como alguém já disse, porque não podem os piores ser antipáticos?) queimam-lhes os dedos e fazem questionar a indústria sobre a importância devida à causa. Porque é que não conseguem pôr as pessoas a ler livros que consideram bons? Porque é que se compram tantos Rebelos Pintos e tantos Equadores? Na realidade, os críticos literários não têm uma boa relação com os livros. Uns e outros dão-se mal e, pela minha experiência pessoal, sei que os críticos detestam os livros e os seus autores. Da mesma forma que os jornalistas desportivos também não gostam de futebol, os críticos literários não gostam de livros, gostam de um clube. Os livros são uma PITA que nem sempre conseguem esconder. É trabalho, e o trabalho é uma chatice antes ou em vez de ser uma alegria.

E eis-me chegado à segunda questão. A auto-gestão da formação do gosto literário não funciona, não quando existem tantos interesses em jogo, em particular dos editores e dos livreiros: são esses os verdadeiros promotores e agente do gosto literário. Mas isso fica para outro post.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Amazon, mon amour



Joanna Newsom, The milk-eyed mender

Woke up this morning



Não se desse o caso de ainda ser noite e eu ser mais que um duro, três maduros mas sem nunca perder(mos) de vista a inteligente e original autora desta forma de acordar.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Manifesto completo

O meu almoço no Foz Velha veio terminar aqui. Ao passeio pela praia dos Ingleses, com os pés nus e as calças arregaçadas em uma duas dobras, como normalmente faço sempre que a companhia o aconselhe, preferi abrir esta porta porque o meu tempo de rede é cada vez mais o meu tempo. Haverá outras tardes de sol, mas hoje foi assim.

Vim para aqui onde leio as pessoas a falar. Escrevo como elas, para que me ouçam.