A minha mãe, a única pessoa que conheço que lê apenas blogs depois de impressos em papel e que não desiste de me ver educado (e também nesta insistência é a única pessoa que conheço), desgostou-se com o meu último post. Queixou-se do primeiro período, demasiado longo e confuso (uma caravana de camelos que comece numa ponta arrisca a perder-se pelo caminho antes de chegar ao final - e não ignorei nesta imagem a ideia de deserto que ela transporta), mas queixou-se, sobretudo, da facilidade irresponsável com que generalizo e sentencio sem fundamento o que aos poetas portugueses diz respeito. E eu, por respeito tanto a uma mãe que é minha como aos poetas que de todos nós são, abjuro e confesso-me afinal deles admirador, em particular se são aqui da terra e quando se dedicam ao sexo puro e duro:Como se não houvera
bosque mais secreto,como se as nascentes
fossem só ardor,como se o teu corpo
fora a vida toda -o desejo hesita
em ser espada ou flor.
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