segunda-feira, 30 de Julho de 2007

Xeque-mate

sexta-feira, 20 de Julho de 2007

Melhor educação

A minha mãe, a única pessoa que conheço que lê apenas blogs depois de impressos em papel e que não desiste de me ver educado (e também nesta insistência é a única pessoa que conheço), desgostou-se com o meu último post. Queixou-se do primeiro período, demasiado longo e confuso (uma caravana de camelos que comece numa ponta arrisca a perder-se pelo caminho antes de chegar ao final - e não ignorei nesta imagem a ideia de deserto que ela transporta), mas queixou-se, sobretudo, da facilidade irresponsável com que generalizo e sentencio sem fundamento o que aos poetas portugueses diz respeito. E eu, por respeito tanto a uma mãe que é minha como aos poetas que de todos nós são, abjuro e confesso-me afinal deles admirador, em particular se são aqui da terra e quando se dedicam ao sexo puro e duro:

Como se não houvera
bosque mais secreto,

como se as nascentes
fossem só ardor,

como se o teu corpo
fora a vida toda -

o desejo hesita
em ser espada ou flor.

terça-feira, 10 de Julho de 2007

Três pratos de trigo para três tristes tigres


Escondi ao meu parceiro de viagem o mau gosto de se ter baptizado o aeroporto para onde nos dirigíamos com o nome de alguém que morreu de um acidente aéreo numa viagem que tinha por destino esse mesmo aeroporto. Desde o espaço demasiado curto para o seu metro e noventa até uma bebida que lhe assentou mal, o tempo de viagem foi-lhe muito penoso e achei melhor poupá-lo ao pormenor macabro. Além do mais, para mim, o nosso aeroporto continua a ser de Pedras Rubras, topónimo que sempre me deliciou por me parecer ter sido inventado por um poeta mudo e surdo como são quase todos os poetas portugueses, mais dados aos trava-línguas do que à poesia legível e pensável em voz alta.